TROCA DE SABERES AUDIOVISUAIS

INTRODUÇÃO

 O projeto “Troca de saberes audiovisuais: LGBTs, quilombolas e a imagem como território”, a ser desenvolvido junto ao Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais e ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, tem como finalidade criar um espaço de reflexão sobre e produção de materiais audiovisuais que versem sobre os coletivos quilombolas e LGBTs do estado do Mato Grosso – podendo com o tempo se estender a outros coletivos, como populações indígenas, comunidades rurais e urbanas, grupos religiosos, entre outros. Pensar em troca de saberes audiovisuais torna-se premente neste projeto se considerarmos que tais coletivos produzem conhecimento a respeito de si mesmos, através de imagens, que circulam de acervos pessoais a plataformas virtuais (internet). Dessa forma, na forma de pesquisa e extensão, este projeto pretende estabelecer diálogos com esses coletivos e suas imagens, ao mesmo tempo em que produtos audiovisuais serão produzidos, como documentários, banco de memórias em vídeo, acervos digitais de imagens antigas, acervos de áudio entre outras possibilidades.

Num primeiro momento, será realizado um trabalho em conjunto com pesquisas já realizadas pelo Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais (NAPlus) que estudam coletivos quilombolas e LGBTs da Baixada Cuiabana. Nos dois casos, um dos principais objetivos é o de produzir documentários que vão se debruçar sobre a história desses coletivos, em suas lutas por territórios, igualdade e políticas públicas. A ideia é envolver os acadêmicos de graduação e pós-graduação que já participam dos projetos do NAPlus e instrumentalizá-los na coleta de imagens fotográficas, produção audiovisual e criação de acervos, a fim de produzir materiais para as pesquisas. Estes mesmos acadêmicos também deverão se engajar em trabalho de campo nessas comunidades para a busca de diálogos em que os “saberes audiovisuais” surjam como uma consequência de um encontro de mão dupla e não reificando hierarquias que marcam a indústria do audiovisual.

No lugar de cursos que poderiam ser oferecidos a essas comunidades, vamos priorizar o encontro com elas, reconhecendo que possuem e produzem conhecimentos audiovisuais, e isso não apenas recentemente com as tecnologias portáteis de imagem e som. Existe nestas comunidades uma cultura audiovisual, que vai de festas a postagens no YouTube e como pesquisadores temos tanto a aprender quanto a ensinar. Em momentos posteriores, tais projetos podem envolver crianças em bairros da cidade, grupos religiosos, coletivos esportivos, “tribos” musicais, grupos étnicos, escolas de samba, blocos de carnaval, terreiros de umbanda e de candomblé. Formalmente, esse projeto pode se apresentar como cursos na área audiovisual, mas sua implantação se dará na forma de troca de saberes, em que privilegiaremos o que os sujeitos já produzem de imagens em seus cotidianos.

JUSTIFICATIVA

 O presente projeto é uma continuação ou um desenvolvimento do projeto de extensão Laboratório de Antropologia e Produção Audiovisual (LAPA) que teve início no ano de 2015, oferecendo aos participantes encontros com conteúdos que versaram sobre Linguagem Fotográfica e Cinematográfica, História do Cinema e da Antropologia Visual, e Memória narrativa e conflito na produção audiovisual. Neste segundo ano de projeto, o LAPA se constituirá como um projeto mais pontual, ao se voltar a produção de imagens e acervos que contam a história de coletivos LGBTs e quilombolas da Baixada Cuiabana, pesquisas já em andamento no Departamento de Antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFMT.

Por se voltar a trabalhos realizados em coletivos marcados por contextos conflituosos, seja na questão de direitos políticos, luta por terra e igualdade, surge a necessidade de desenvolver nos participantes uma sensibilidade para estas situações.

 

 OBJETIVOS

 GERAL:

Criar um espaço de reflexão sobre e produção de materiais audiovisuais que versem sobre os coletivos quilombolas e LGBTs do estado do Mato Grosso, partindo da premissa que há saberes audiovisuais envolvidos, num caminho de mão dupla.

ESPECÍFICOS:

  • Realizar oficina de produção audiovisual para os acadêmicos envolvidos no projeto, com conteúdos relacionados à produção audiovisual em coletivos LGBTs e quilombolas.
  • Instrumentalizar os participantes no uso de equipamentos audiovisuais no contexto delicado de populações social e economicamente marginalizadas, reconhecendo seus regimes visuais e suas agências.
  • Fomentar nos participantes o desenvolvimento de uma sensibilidade para a produção audiovisual em tais contextos que exigem um diálogo com saberes audiovisuais já existentes.
  • Constituir um banco de memórias audiovisuais de integrantes dos coletivos LGBTs e quilombolas, num sistema de museu virtual.
  • Permitir a recuperação de acervos imagéticos de populações LGBTs e quilombolas, reconhecendo neles suas produções identitárias e de sua própria história.
  • Realizar dois documentários, durante o ano de 2016, relacionados a pesquisas em andamento com comunidades quilombolas de Chapada dos Guimarães e coletivos LGBTs de Cuiabá.
  • Devolver aos coletivos pesquisados produtos desse projeto, através de exibições locais em primeira mão dos documentários, das plataformas que receberão os acervos imagéticos e de áudio.

METODOLOGIA/CRONOGRAMA

a)     OFICINA DE PRODUÇÃO: Encontros semanais nos dois primeiros meses, todas as sextas-feiras, em que os participantes entrarão em contato com conteúdos básicos da produção audiovisual, no que se refere a planejamento, roteirização e pesquisa com imagens. Março a maio de 2016
b)     TRABALHO DE CAMPO: Realização de pesquisa com imagens junto aos coletivos quilombolas e LGBTs, com o objetivos de recuperar acervos pessoais de imagens que se referem às suas histórias. Produção de imagens in loco, com a realização de entrevistas e filmagens de cotidianos, para constituir bancos de memória audiovisual e documentários. Engajamento junto às comunidades com vista à troca de saberes, podendo ser oferecidas oficinas de foto e cinema, como pretexto para estas trocas. A partir de maio de 2016
c)      OFICINA DE PÓS-PRODUÇÃO: Com o material resultante do trabalho de campo, teremos oficinas de edição e de finalização desses materiais, com a produção de documentários e acervos virtuais para disponibilização pública desses materiais. Também nesta fase, os participantes vão apresentar aos coletivos os resultados preliminares desses trabalhos, compartilhando as produções e podendo também modificá-las a partir das críticas desses coletivos. Depende do andamento de cada projeto

 

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